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  • balthazardaniela
  • Dec 21, 2023
  • 3 min read




Quem já esteve em um relacionamento narcisista com outra pessoa geralmente não sabe que acaba ocupando um papel fundamental nessa dinâmica a dois, que é o de Eco (a contraparte feminina do Mito de Narciso).


Um relacionamento faz a função de ligar dois seres, trazendo a capacidade de um olhar para o outro, conhecendo e reconhecendo suas necessidades e desejos, realizando trocas dentro dos limites e possibilidades de ambos: é um eterno negociar pendular em que ambos poderão aprender sobre a capacidade humana de ser rígido e flexível quando necessário.

Nem Eco e nem Narciso conseguiam fazer esse movimento na relação, como bem retrata o Mito:


Eco era reconhecida por ser excelente contadora de histórias e Zeus um dia ordenou-a que ficasse por horas tapeando sua esposa Hera, enquanto ele fosse se aventurar em mais um de seus casos extraconjugais.

E assim Eco cumpriu a ordem do grande Deus do Olimpo.

Porém quando Hera deu-se conta de que estava sendo enrolada por Eco num plano de Zeus, ficou furiosa e direcionou sua ira apenas contra Eco (e nada contra Zeus, como do costume de Hera):


“você nunca mais terá voz própria e somente conseguirá repetir o final de tudo o que as outras pessoas disserem!”


A partir daí, Eco jamais voltou a falar algo que desejava ao outro.

Um dia Eco conhece Narciso apaixonando-se perdidamente por ele (como todas as mulheres que o viam).  Porém, Narciso não tinha olhos para mais ninguém a não ser a si mesmo e não se interessava por mais nada e ninguém ao seu redor.

Vejam que dupla nessa relação: um que somente enxerga a si mesmo (e ignora a presença, desejos, intenções, necessidades do outro)  e Eco que não tem voz própria, não tem capacidade de falar por si, não olha para si e somente para o outro. 

Eis a chave para o trabalho psíquico e emocional quando nos vemos em uma relação narcísica com outra pessoa: ter consciência da nossa contraparte nessa história e perceber se, assim como Eco, não estamos permanecendo no lugar de endeusar ao outro e anularmos a nós mesmos.


Uma relação narcísica se mantém apenas quando existe alguém ocupando o lugar da ecolalia ao narcisista: e o trabalho consciente de quem tem a tendência a vivenciar relacionamentos assim e fortalecer a autoestima e o amor próprio, construindo uma estrutura interna de autocuidado, autovalorização, aprendendo a nutrir-se a si mesmo ao invés de permanecer no lugar de buscar afeto e nutrição emocional de alguém que não está apto a nutrir e olhar ninguém além de si mesmo.


Nesse tipo de relacionamento entre as pessoas o denominador comum geralmente é a dificuldade de ambos em estabelecer um relacionamento de troca harmônica e nutridora aos dois: em uma das partes falta a capacidade de dar ao outro o que necessita e na outra parte existe a tendência a ficar esperando do outro a nutrição emocional de que necessita e a incapacidade de fazer o movimento nutrir-se emocionalmente para além desse outro.


Há aqui uma fixação psicológica em ambas as partes: em si mesmo (quando a pessoa ocupa o lugar narcísico da relação) e no outro (quando a pessoa ocupa o lugar ecolálico na relação).


É importante que ambos realizem um processo psicoterapêutico profundo para trabalhar estes lugares e aprenderem a estabelecer vínculos saudáveis na troca com as pessoas.


Espero ter te ajudado com este texto e fico à disposição para seguirmos conversando em Terapia.


Para agendar um horário de Psicoterapia comigo, acesse o link: 



 
 
 
  • balthazardaniela
  • Dec 21, 2023
  • 2 min read

Mitos simbolizam as diversas formas de funcionamento do Ser Humano e podemos reconhecer neles formas distintas de se lidar com alguma situação. 


Todos os Mitos possuem sua contraparte masculina e feminina, sendo de significativa importância termos conhecimentos desses dois pólos de cada enredo.


Para entender as diversas maneiras do Ser Humano vivenciar um relacionamento íntimo e amoroso com outro, podemos olhar para os Mitos que têm como enredo a construção e manutenção de uma relação: Zeus e Hera, Hades e Perséfone, Hefesto e Afrodite, Páris e Helena, Ulisses e Penélope entre muitos outros que trazem como tema a vivência da relação de compromisso entre um casal.


O tema da traição no relacionamento faz parte do Mito de Zeus e Hera (bem 

como de outros Deuses também). No caso desse Mito, a traição é do masculino ao feminino (de Zeus a Hera), mas na vida cotidiana não devemos nos apegar ao gênero mas sim aos papéis sociais e valores pessoais conectados à cada um dos personagens. 


Em terapia, quando me trazem o tema da traição de um dos cônjuges ao outro, busco sempre localizar qual o enredo mítico se assemelha ao dilema do casal, pois conhecer o mito associado abre possibilidades de ampliação do entendimento da questão para além de juízos pré-concebidos.





Quando reconhecemos um enredo mítico nas vivências podemos ter também à mão mais clareza em relação às questões psíquica e emocionais associadas à situação.


No Mito de Zeus e Hera vemos o tipo de relacionamento em que um dos 2 cônjuges trai recorrentemente (no caso aqui, Zeus) o outro cônjuge - sabe de todas as traições (Hera) mantendo-se firme ao lado do companheiro sem direcionar seus sentimentos ao cônjuge, mas sim às amantes dele (e aos filhos gerados pelas relações extraconjugais).


Hera é conhecida como “a Deusa do casamento” e esse status social de ter uma posição consolidada como “a esposa” é o valor psíquico-emocional central nesse enredo: o papel de companheira do marido é exercido em toda a sua maestria (mas não necessariamente exerce-se o papel de mãe e mulher, entre outros, com tamanha destreza).


A nível de relacionamento de casais, os valores pessoais de cada um é algo importantíssimo de ser compreendido e acolhido nos conflitos trazidos em terapia. 


 
 
 
  • balthazardaniela
  • Mar 28, 2021
  • 2 min read

Updated: Dec 20, 2023

O desafio de viver a vida a 2 na atualidade.


É fato que está havendo uma mudança em todas as áreas das nossas vidas nestes tempos modernos, e o setor dos relacionamentos humanos também segue nesse movimento. Principalmente o tema dos relacionamentos amorosos.

O grande número de divórcio entre casais, bem como o grande número de pessoas que optam por ficar sozinhas, ou mesmo que ficam sozinhas por sentirem grandes dificuldades em manter relacionamentos satisfatórios tem sido tema recorrente na Psicoterapia de adultos. E nos traz a necessidade de entender melhor o que está acontecendo atualmente nesse campo.


Gosto de começar essa discussão falando do movimento crescente da emancipação da mulher na sociedade em geral. Certamente este é um fator central, pois, quando isso ocorre as mulheres se sentem seguras o suficiente para não suportar relacionamentos insatisfatórios como era comum antigamente, onde muitas mulheres permaneciam nos relacionamentos porque não havia outra possibilidade.


E a questão de ser possível não mais suportar relações que não fazem sentido, ou mesmo que são abusivas e do ponto de vista da saúde mental, relacionamentos que não deveriam ser suportados em nome de nadica de nada, é uma chave interna engatilhada com a chave externa da emancipação feminina.

Antigamente, o papel social das mulheres era principalmente ser a “rainha do lar” e cuidar dos filhos. Com a mudança deste paradigma, e as mulheres buscando cada vez mais serem “rainhas de si mesmas”, já não existe esse enrijecimento feminino dentro do núcleo familiar: ou seja, as mulheres se sentem muito mais livres do que antigamente para pedirem o divórcio e romperem com seus casamentos e relacionamentos. Estão mais livres psíquico-emocional e socialmente para seguirem seus caminhos, buscando o bem-estar inclusive dentro dos relacionamentos amorosos.

 
 
 

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